Muitas vezes, ao redor de uma mesa, numa conversa entre amigos, rimos muito ao recordar episódios da nossa infância, travessuras, artes, brigas entre colegas, reclamações da professora e tantas outras situações que acabaram em merecidas palmadas, cintadas ou chineladas. O curioso é que se alguém chora ao relatar um desses hilários acontecimentos, é de pura saudade!
Bons tempos aqueles, em que os pais eram comprometidos com a educação dos filhos. Sua missão era formar cidadãos de bem e não apenas criá-los e os filhos, por sua vez, tinham plena consciência de que não seriam tolerados abusos ou mal comportamento. Naquele contexto, crianças rebeldes ou indisciplinadas eram exceção e não regra.
Mas hoje a coisa é bem diferente. Como se não bastassem a total falta de limites, respeito, educação e discernimento do certo ou errado, de muitas crianças e adolescentes, existe um projeto de lei em andamento querendo limitar ainda mais o poder/dever dos pais em corrigir seus filhos e a justificativa é que crianças que apanham na infância ficam deprimidas, revoltadas e traumatizadas. Será?
Certamente, o que traumatiza uma pessoa é o abandono, o desinteresse demonstrado por ela, é a fome, a miséria, são as desigualdades e as discriminações. Criança que não tem atenção, afeto, carinho, respeito, realmente, corre sério risco de desenvolver um quadro depressivo ou ficar revoltada. Aquela porém, que possui um lar, com pais empenhados em ensiná-la o que é certo e errado e que eventualmente, lhes puxem as orelhas; não, esta certamente será uma adorável e bem estruturada criatura!
Mas para tanto, os pais devem ter total liberdade para decidir de que maneira corrigirão seus filhos, pois muitas vezes, não adianta querer conversar com uma criança que está aos berros e algumas palmadinhas (entenda-se três ou quatro tapinhas bem estralados no bumbum) dirão mais do que mil palavras e a farão entender quem está no comando.
Corrigir os filhos, algumas vezes até com a “vara” é bíblico, sendo que, tal prerrogativa, cabe única e exclusivamente a pai e mãe e ninguém mais, pois se seus filhos menores agirem de forma anti-social, ou cometerem algum delito, quem serão os primeiros a ser responsabilizados?
É certo que qualquer abuso deve ser reprimido e o que faltam não são leis que versem sobre o assunto, (Código Penal, Código Civil, ECA) mas é um sistema eficiente para que as mesmas sejam postas em prática. O problema está morosidade e infelizmente na certeza que muitos têm de que ficarão impunes pelos excessos cometidos. Isto sim é revoltante e deve ser revisto.
Este projeto de lei, no entanto, visto sob a óptica dos nossos atuais políticos, possui uma lógica de raciocínio perfeita: por que bater em inocentes criaturas se lá, eles fazem o que fazem e não acontece nada?! Corrijam-me os lógicos de plantão, mas quando se parte de uma premissa errada, todo o resto do pensamento fica comprometido.
O fato é que esses que dizem nunca terem levado umas palmadas, muitas vezes, são os que mais precisavam delas para que lhes fosse mais bem moldado o caráter.
Uma coisa é certa, uma pedra preciosa, não nasce assim, antes, passa por diversos processos para aumentar-lhe o valor e por analogia, isso também se aplica aos seres humanos. Pensem nisso!
Beijos e até mais!